ENTREVISTA - BIFFY CLYRO - VOCÊ É ROCK !!

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ENTREVISTA - BIFFY CLYRO

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Entrevista Biffy Clyro: “O rock está ficando mais forte que nunca” 

O rock não vai para lugar nenhum, mas o Biffy Clyro está chegando ao Brasil pela primeira vez, com quase 20 anos de estrada e seis discos na bagagem, o último deles levando a banda até o primeiro lugar das paradas em seu Reino Unido natal.

O guitarrista Simon Neil tinha dito em abril que a banda talvez desaparecesse um pouco depois do próximo álbum, mas conversamos com o baixista James Johnston e descobrimos que assim como a música que representa, o Biffy Clyro pode até sair do centro dos holofotes às vezes, mas sempre voltará com força.

Vocês revelaram em abril que já estavam trabalhando no sucessor de “Opposites”, que seria “mais dançável” e contaria com várias novidades sonoras, como “stoner reggae” e “black metal pop”. Em que ponto do processo vocês estão no momento?

JJ:
Acho que ainda estamos relativamente perto do começo. Estivemos trabalhando um pouco este ano, mas estamos meio entre turnês e acabamos tendo um ano bem ocupado. Então talvez não estejamos tão adiantados quanto você esperaria, mas as coisas estão bem, sólidas e seguras, e sempre que temos uma chance estamos trabalhando em coisas novas. Acho que no começo do ano que vem vamos realmente começar a nos concentrar nisso, depois que terminarmos a turnê.

Imagino que estar em turnê enquanto compõe o álbum, por mais que seja no início do processo, pode alterar seu resultado por uma série de motivos. A estrada mudou os planos de vocês de alguma forma?

JJ:
Falamos por muitos anos em ir para o Brasil, para a América do Sul, indo para outros lugares na Europa que ainda não tínhamos ido e ao redor do mundo, então, todas essas coisas rolaram esse ano e acho que ficamos um pouco mais ocupados do que pensávamos, mas sabe, é empolgante, estivemos em muitos lugares pela primeira vez. Estivemos na Rússia, Israel e claro, vamos vê-los no Brasil, então é um bom problema para ter, estar muito ocupado. Só quer dizer que você tem que esperar um pouco mais para começar o disco, mas tudo bem, porque é muito empolgante ir para novos países.

Você prefere compor, tocar no estúdio, ou gosta mais da experiência ao vivo, de tocar para uma plateia?

JJ:
Na verdade fica no meio para mim. Gosto de estar no estúdio criando, eu adoro o lado de engenharia de estar no estúdio. Muitas pessoas acham isso um pouco chato, mas eu sou bem interessado em como tudo funciona, o equipamento e esse tipo de coisa, acho bem fascinante. Mas estar em frente a uma plateia, ter aquela reação e aquela conexão, esse é o espírito da banda, tentar criar uma conexão com a plateia. Tem algo no imediatismo disso, desse momento, que é bem especial.

Vocês mencionam influências musicais muito variadas, e esse próximo trabalho deve ser ainda mais diverso. O que você tem escutado ultimamente?

JJ:
Recentemente, há uma banda de Leeds, na Inglaterra, chamada Marmozets. Eles são uma banda jovem, que faz um rock meio louco de massa com uns gritos no meio, e eles são bem empolgantes, acho eles são bons também. E uma banda chamada Twilight Sad, daqui da Escócia, eles acabaram de lançar um disco que eu acho muito bom [na verdade “Nobody Wants to Be Here and Nobody Wants to Leave” tem lançamento programado para o próximo dia 27]. Acho que há muitas coisas boas. As pessoas falam da morte do rock, da morte das guitarras, mas não acho que isso seja verdade mesmo.

Eu também não, acho que desde aquela explosão dos anos 2000 apareceram muitas bandas de rock, muita música de guitarra.

JJ:
Acho que sim. Acho que as raízes do rock estão no underground. Acho que quando as pessoas falam sobre o rock não estar nas paradas, acho que elas estão erradas. No Reino Unido acabamos de ter algumas bandas de rock cujos discos chegaram ao primeiro lugar. Acho que o rock nunca irá embora. Ele acabou de voltar um pouco para as ruas, então acho que o rock está ficando mais forte que nunca.

E fora da música, qual a maior fonte de inspiração?

JJ:
Provavelmente a natureza, estar do lado de fora. Acho que a natureza consegue fazer com que eu me sinta bem pequeno, como se nada pudesse fazer eu me sentir ganancioso. Porque não tem nada que você possa fazer para mudar o tempo [ri], ou mudar a natureza. E acho isso muito inspirador, me faz sentir parte de uma figura maior no universo, se você preferir.

Essa será a primeira vez de vocês no Brasil, vocês têm alguma expectativa?

JJ:
Quando vamos conhecer um país, tentamos ir com a cabeça aberta, não ter muitas expectativas. Mas talvez seja um pouco diferente com o Brasil porque ouvimos tantas coisas incríveis sobre as plateias, o quanto elas amam rock e quão apaixonadas elas são. Estamos esperando bastante na verdade [dá risada], estamos colocando bastante pressão em vocês. Acho que estamos esperando começar a nos sentir bem-vindos, mas acho que as pessoas aí realmente amam música, e acho que vai ser um momento muito, muito especial para nós.

Já tiveram contato com música brasileira antes?

JJ:
Não muito na verdade, acho. A única banda de rock que consigo lembrar da qual ouvimos muito no Reino Unido é provavelmente o Sepultura, esse tipo de coisa. Mas sabe, essa é uma das coisas empolgantes de conhecer um país novo, que você descobre coisas enquanto vai viajando, quem sabe conseguimos pegar umas bandas quando estivermos aí.

Tomara que sim. Neil declarou no começo do ano que a banda pretendia dar uma sumida depois desse próximo disco. Ainda pretendem fazer isso?

JJ:
Acho que em uma banda você sempre recebe sinais que as pessoas vão enjoar de você, que ouviram demais sua banda, e para todo lugar que você olha tem um pôster da sua banda ou uma música toca no rádio. Acho que você entende que é um pouco estranho, seria legal simplesmente desaparecer e voltar fresco com um novo álbum. Mas nós queremos continuar, não gostamos de fazer pausas na verdade. Acho que é melhor para mim simplesmente continuar trabalhando em coisas. Vamos ver como as coisas serão. Mas se tirarmos um intervalo, acho que não ficaremos afastados por muito tempo.

Bom para nós. E vocês já estão na estrada desde o começo do mês passado, tem dado tempo para conhecer a música dos diferentes lugares por onde passaram a ponto de influenciar a música de vocês?

JJ:
Sim, acho que pode [influenciar]. Acho que quando você viaja e toca em festivais você vê muitas bandas das quais nunca tinha ouvido falar antes. Algumas você vê o que elas estão fazendo e pensa que seria uma boa ideia. Acho que você não conhece elas de verdade então [quando] está escrevendo a música e talvez mesmo até depois, às vezes não é óbvio o que te influenciou. Acho que você deve deixar entrar no seu subconsciente, não acho que você deva pensar muito a respeito. Mas vimos tantas bandas boas durante o verão [do hemisfério norte] que há uma chance de sermos influenciados por pelo menos uma delas.

E como é o processo de composição de vocês? Vocês escrevem juntos, separados ou como funciona?

JJ:
Simon é o compositor principal da banda, ele compõe na guitarra em casa e traz as músicas para o estúdio de ensaio e trabalhamos nelas. Vemos qual a sensação delas, às vezes mudamos algumas coisas, mas normalmente já nos sentimos bem com elas logo de cara. Acho que recentemente começamos a tentar mudar as coisas um pouquinho, só para continuar caminhando em frente, então Ben e eu temos composto bem mais que antes, estamos tentado trazer ideias. Mas acho que sempre tivemos ideias assistindo, é normal mudar coisas que se tornaram naturais para você. Vamos ver como será esse processo, mas até agora Simon tem sido o compositor da banda.

Parece que vocês, você em especial talvez por se inspirar na natureza, têm uma abordagem orgânica, de não pensar demais nas coisas e deixar que elas fluam para a música...

JJ:
Estamos juntos desde que éramos crianças, é a única banda na qual tocamos, desde os 14, 15 anos estávamos tocando na garagem. Sempre foi meio como um grupinho, meio que “nós contra o mundo”. Então tentamos não analisar demais como estamos fazendo as coisas. Ocasionalmente você tem que se comprometer com um plano, mas o plano talvez seja tentar algo que talvez seja um pouco desconfortável. Eu não sou uma pessoa que se identifica com assistir como fazer as coisas, acho que algumas você pode simplesmente seguir o fluxo um pouco.

E talvez esse seja um dos motivos pelos quais vocês continuam juntos depois de tanto tempo, porque deve ter suas dificuldades estar em uma banda - porque não deixa de ser um trabalho - com amigos

JJ:
Acho que poderia ser difícil. Sabe, vemos que muitas das bandas com as quais crescemos infelizmente não estão mais juntas. Acho que o fato de sermos apenas três na banda, e sermos tão próximos desde tão cedo, temos uma conexão muito forte. E como disse parece um grupinho, é a gente contra o mundo,crescemos juntos .

Você disse que no fim das contas estão esperando bastante coisa dos shows no Brasil. E nós, o que podemos esperar? Alguma música nova ou surpresa?

JJ:
Sim, quer dizer, espero que seja empolgante. Com certeza é empolgante para nós. Sempre damos toda a energia e a paixão que temos em todos os shows. Nós nos importamos muito com o que fazemos e gostamos de fazer shows, então espero que isso chegue do outro lado, não tem nada pior do que ver uma banda que parece não ligar, que parece nem querer estar ali, espero que nunca sejamos essas pessoas. Espero que tenha muita gente cantando junto, se as pessoas cantam junto é como se estivéssemos juntos em uma festa.

É, nós somos famosos por cantar junto...

JJ:
Então vamos nos sentir em casa!

Confira as informações sobre os dois shows do Biffy Clyro no Brasil:

16/10/14 - Rio de Janeiro/RJ
Circo Voador - R. dos Arcos, S/N - Lapa
Horário: 22h00
Ingressos: R$ 82,50 (meia estudante / estudante Circo Voador / promoção Circo), R$ 165,00 (inteira)
Venda Online: http://www.ingresso.com/
Classificação: 18 anos

17/10/2014 - São Paulo/SP
Audio SP - Av. Francisco Matarazzo, 694 - Água Branca
Horário: 22h00
Ingressos: R$ 60,00 (meia entrada), R$ 120,00 (inteira)
Venda Online: https://www.ticket360.com.br/
Classificação: 18 anos 

[link:1]Assista o shown completo de Biffy Clyro Reading Festival 2013 aqui[/link:1]


Fonte: TDM


 
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